domingo, 2 de novembro de 2008

Contornos de Luz

Acendo uma vela... Não é algo que faça muitas vezes. Não é também algo que faça apenas em ocasiões especiais. Pura e simplesmente olho para uma vela e fico com vontade de a acender... Foi isso que acabei de fazer: olhar para uma vela e acende-la.

Sempre que acendo uma vela, sucedem-se várias coisas, nem sempre pela mesma ordem, mas acontecem sempre todas! Sei portanto que dentro de momentos vou tirar tudo o que está em cima da minha cama para me deitar. Sei que vou apagar a luz do meu quarto. Sei que me vou preparar para dormir apenas com a suave luz de uma vela. Sei ainda que antes de a perturbar com o meu ar, vou ficar longos minutos a olhar para a sua chama. Vou ve-la dançar, enquanto a minha mente sai de mim e parte em busca de recordações.

Por entre as recordações, irei certamente destapar aquela arca poeirenta tapada com um lençol velho, fechada pelo fraco cadeado, que contém os maus momentos. Segue-se um inspirar profundo... Aqui já não estou em mim, já não sei o que acontece. Tenho porém uma vaga sensação de fechar os olhos! É sempre mais fácil imaginar com os olhos fechados. Assim consigo pensar na vida paralela que o meu eu gostava de viver. Certamente não haveria blog, mas haveria mais sorrisos.

O acender da vela, não trás um momento triste. Trás um momento de inspiração, de contextualização. Permite-me ver onde estou, para onde quero ir e qual o caminho a seguir... São as barreiras desse caminho que me fazem abrir os olhos, apagar a vela, a única luz que me ilumina e, após subir a roupa que me vai aquecer, voltar a fechar os olhos...

Não tendo ninguém que o faça por mim murmuro, baixinho para que ninguém oiça, um Boa noite...