domingo, 19 de setembro de 2010

Procuro nada

Estou à procura. Remexo nas folhas mortas que jazem no chão. Movo as pedras que acalcam a terra debaixo de si. Nada. Procuro nas sombras criadas pelas árvores, nas esquinas dos prédios, no vento que faz andar as nuvens. Nada. Vejo as pegadas sem sucesso, percorro a minha pele sem encontrar, rodo sobre mim mesmo e... Nada. Detenho-me diante um espelho, o sitio mais provável e Nada.

A pergunta ouve-se de todo o lado, como algo que vem de dentro de nós próprios e invade cada espaço de nós. Quem és tu? E eu não sei... Procura a resposta, mas onde? Tu sabes onde, não, eu não sei! Será que existe resposta? O que faço quando souber a resposta? Procuro depois o meu lugar? Não posso, eu não quero o meu lugar!

Não quero!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Um caminho de nada para um neco de ninguém

Pára! Pára tudo. Fecha os olhos para parares de ler. Tapa os ouvidos para parares de ouvir. Cobre a pele para parares de sentir. Cala-te para parares de te mostrar presente. Sustem a respiração, para parares de viver...

Olha à tua volta... Agora consegues-me ver. Um misto de sonho adormecido que teima em nunca acordar, com a imagem de um projecto falhado antes de ser sequer idealizado. Uma exclamação reprimida. Um medo surdo. Uma voz invisível. Um nada...

Valha-me o nada. No meio dele, tudo é pequeno e tudo é grande. No meio do nada está a pureza e a perfeição. Sendo um nada, resta-me os confins de mim mesmo, onde nada e sozinho consigo ver-me a mim próprio. Porque enquanto eu estou sozinho, sei que sozinho devo estar. De que me vale trepar a uma árvore se vou ter de descer? Antes ser a própria árvore do que aquele que a trepa, ao menos as árvores morrem de pé...