Está tão vazio o peito daquele que entra na água, que nem em água consegue boiar. Dentro de si, nem ar quer existir. As lágrimas, não caem dos olhos, porque estes estão secos. A boca mantém-se fechada, porque não há sons que possam querer sair. Se respirar é a única coisa que faz!
Olhando para o que escreve, nem capacidade tem para escrever. É um falhado, tão falhado, que nem isso saberá verdadeiramente ser!
Ao menos saiba dizer, que o falhado sou eu! Ao menos tenha a coragem de assumir! Sou eu!
segunda-feira, 25 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Luz de escolhas
Entra no quarto de pedra, o vulto preto, com o seu capuz. Fecha a porta, a pesada porta de carvalho escuro, que deixou atrás de si. O quarto de pedra tem apenas uma cama ao centro, com a cabeceira encostada à parede da direita. No canto esquerdo, oposto à porta, dança a luz de uma vela, a arder para iluminar o quarto de pedra fria, com o seu fogo quente. É a única luz do quarto, acesa por ninguém!
O vulto mantém-se imóvel, alguns segundos, como se fosse agora também ele de pedra. Um grito sai de dentro dele, sem que seja emitido um único som. Vem a prova de que ainda não é de pedra quando a sua respiração aumenta, cada vez mais, como se estivesse a ser queimado. Respira cansado e com raiva. Quando sustem a respiração, os braços movem-se e sem que as mangas compridas das suas vestes revelem as suas mãos, o carapuço é descido revelando uma cabeça.
Transpira-se ira!
Grita o ser, agora com raiva, libertando pelo peito a dor. Estrebucha, atira-se para a cama contorcendo-se e grita. Grita mais, enquanto cai para o chão, pontapeando e esmurrando o ar e o chão de pedra fria. Parece possuído o vulto de capuz, e já sem capuz, que continua, pelos seus gestos, pelos seus movimentos, pela sua respiração e pelo seu som, a livrar-se de todo mal que se acumulou a incubadora que detém dentro de si.
Como qualquer dor, sente a mente a dor do coração, libertando o corpo a dor incalculável que sente. Todo o seu violento espectáculo, tido para dentro de si mesmo, no seu quarto sozinho é a maior prova de que o coração que aquece o corpo, não é de pedra. Está vivo e sente!
Quando pára de gritar, pára também de se mexer. Torna-se novamente imóvel, para controlar a respiração. Toda a mente é mais forte que todo o corpo e o corpo sucumbe. Por momentos, parece que o demónio ri, como qualquer demónio, mas a lágrima que corre pelo canto do olho mostra que aquele riso não é mais que dor. O demónio de capuz, afinal chora de dor!
A vela é a sua companhia. Sendo dançante, tem a sua própria vida e acaba por ser a única vida a testemunhar o espectador. Cabe a ela decidir lutar para se manter acesa e iluminar o pedaço de mundo do desencarapuçado, ou apagar-se, deixando-o a chorar na solidão, rodeado por paredes de pedra frias.
O sofredor cala-se. Tudo um dia se cala... Até o vento se calará!
O vulto mantém-se imóvel, alguns segundos, como se fosse agora também ele de pedra. Um grito sai de dentro dele, sem que seja emitido um único som. Vem a prova de que ainda não é de pedra quando a sua respiração aumenta, cada vez mais, como se estivesse a ser queimado. Respira cansado e com raiva. Quando sustem a respiração, os braços movem-se e sem que as mangas compridas das suas vestes revelem as suas mãos, o carapuço é descido revelando uma cabeça.
Transpira-se ira!
Grita o ser, agora com raiva, libertando pelo peito a dor. Estrebucha, atira-se para a cama contorcendo-se e grita. Grita mais, enquanto cai para o chão, pontapeando e esmurrando o ar e o chão de pedra fria. Parece possuído o vulto de capuz, e já sem capuz, que continua, pelos seus gestos, pelos seus movimentos, pela sua respiração e pelo seu som, a livrar-se de todo mal que se acumulou a incubadora que detém dentro de si.
Como qualquer dor, sente a mente a dor do coração, libertando o corpo a dor incalculável que sente. Todo o seu violento espectáculo, tido para dentro de si mesmo, no seu quarto sozinho é a maior prova de que o coração que aquece o corpo, não é de pedra. Está vivo e sente!
Quando pára de gritar, pára também de se mexer. Torna-se novamente imóvel, para controlar a respiração. Toda a mente é mais forte que todo o corpo e o corpo sucumbe. Por momentos, parece que o demónio ri, como qualquer demónio, mas a lágrima que corre pelo canto do olho mostra que aquele riso não é mais que dor. O demónio de capuz, afinal chora de dor!
A vela é a sua companhia. Sendo dançante, tem a sua própria vida e acaba por ser a única vida a testemunhar o espectador. Cabe a ela decidir lutar para se manter acesa e iluminar o pedaço de mundo do desencarapuçado, ou apagar-se, deixando-o a chorar na solidão, rodeado por paredes de pedra frias.
O sofredor cala-se. Tudo um dia se cala... Até o vento se calará!
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