sexta-feira, 25 de julho de 2008

Pessoas...

Durante a nossa vida temos o prazer, ou a infelicidade, de conhecer várias pessoas. Algumas delas enganam-nos prontamente... Sentimos a rasteira cair sobre nós próprios apenas quando já a queda vai a meio... São pessoas que nos chamam para o casting da vida, naquela sala escura, onde mal vemos os grandes senhores sentados à mesa, que apenas se riem do nosso fraco desempenho, sem nunca estenderem a mão para nos para nos ajudar.

Parvidade...
Ficar sentado a rirem-se de nós não tem mal nenhum, comparado com o que outras pessoas são capazes de fazer...

Over and over again... Sempre a apontarem-nos os nossos defeitos, a lembrarem-nos dos momentos maus, a espezinharem-nos pelo erro! Mais valia a indiferença de me ver fracassar, sem falar, sem se mexer, como se não estivesse ali, como se não me estivesse a ver...

Já percebi, não precisas de insistir! Há coisas que eu já sei fazer, o tempo já me ensinou e uma dessas coisas é a assumir o meu erro... não precisas de me bater mais... eu já sei!

A única coisa que posso agora fazer é pedir desculpa por ser tão má pessoa... Pelos vistos fiz-te sofrer muito, mas não foi de proposito... Juro que não foi... Deixa-me em paz...

Suplico.... Deixa-me aqui e segue... não fiques para me culpar! O erro já eu carrego bem carregado nas minhas costas...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Porta

Estou sentado naquele canto escuro, ali, no primeiro andar, mesmo por cima da porta velha e desgastada pelo tempo, que dá acesso à cozinha abandonada. É normal que não me consigas ver bem... a casa está escura. Como todas as casas inabitadas, todas as janelas e portas para o exterior estão fechadas com tábuas de madeira, mal colocadas, que deixam de passar um fio minusculo de luz solar. A única porta de entrada, e obviamente também de saída, é esta que está aqui, atrás de ti... Esta pela qual acabaste de passar para conseguir entrar.

Não te aconselho a aventurares por estas escadas já sem alguns degraus... Cairás na subida! Além do mais, estou inatingível. É impossível chegares até mim. Apenas aqui consegui chegar, porque já não estou vivo. Como qualquer fantasma e sendo eu um fantasma, limito-me a pairar e a pairar aqui cheguei.

Tens duas opções à tua volta... Ou te sentas no chão, também ele de madeira poeirenta e esperas que eu me digne a ir ter contigo para ser salvo, ou fazes como toda a gente, sais porta fora e abandonas-me para sempre...

Desculpa a falta de sentido de hospitalidade, mas encara isto como um teste! Se quiseres realmente saber quem sou, irás esperar o tempo que for preciso, nas condições que eu te disponibilizo, onde eu quiser. Na minha casa, reinam as minhas regras.

A decisão é tua... Ou entras ou saís, à porta não ficas!