terça-feira, 15 de julho de 2008

Porta

Estou sentado naquele canto escuro, ali, no primeiro andar, mesmo por cima da porta velha e desgastada pelo tempo, que dá acesso à cozinha abandonada. É normal que não me consigas ver bem... a casa está escura. Como todas as casas inabitadas, todas as janelas e portas para o exterior estão fechadas com tábuas de madeira, mal colocadas, que deixam de passar um fio minusculo de luz solar. A única porta de entrada, e obviamente também de saída, é esta que está aqui, atrás de ti... Esta pela qual acabaste de passar para conseguir entrar.

Não te aconselho a aventurares por estas escadas já sem alguns degraus... Cairás na subida! Além do mais, estou inatingível. É impossível chegares até mim. Apenas aqui consegui chegar, porque já não estou vivo. Como qualquer fantasma e sendo eu um fantasma, limito-me a pairar e a pairar aqui cheguei.

Tens duas opções à tua volta... Ou te sentas no chão, também ele de madeira poeirenta e esperas que eu me digne a ir ter contigo para ser salvo, ou fazes como toda a gente, sais porta fora e abandonas-me para sempre...

Desculpa a falta de sentido de hospitalidade, mas encara isto como um teste! Se quiseres realmente saber quem sou, irás esperar o tempo que for preciso, nas condições que eu te disponibilizo, onde eu quiser. Na minha casa, reinam as minhas regras.

A decisão é tua... Ou entras ou saís, à porta não ficas!

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