quinta-feira, 30 de abril de 2009

Parado na corrente de ar...

Respirar já não basta para sobreviver. Sinto que por vezes, por breves instantes, perco a capacidade de respirar. Sinto um nervoso miudinho a invadir o peito... contraio o diafragma aceleradamente para tentar conseguir um pouco mais de oxigénio... mas ele não chega...

É um aperto no coração, uma dor que sinto como se fosse real, como se fosse física, que me acorda dos meus pensamentos-fantasma... do passado. Bendita dor que me faz acordar, que me faz ver onde estou. Não é que esteja bem onde estou, mas entre estar aqui a pensar e estar aqui sem pensar, que venha a amnésia. Que venha a estaca para gelar o coração. Que venha o quer que seja que me impeça de sentir!

Não quero pensar, não quero decidir, não quero viver pela minha vontade. Quero ser um grão de pólen, a pairar no ar, ao sabor do vento, com o processo de desenvolvimento suspenso. Pode ser que o acaso me faça aterrar num sitio onde eu possa retomar a vida que perdi... pode ser que acabe por nunca encontrar o sitio para o meu desenvolvimento... pode ser que que nunca aterre...

Não é importante o que vem amanha... é importante não pensar no que aconteceu ontem... É importante não viver!

Hoje não vivo... está decidido!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Amarras

Estamos presos...

Está preso no cais, o barco à espera dos passageiros...
Está preso o cão que mete medo por apenas ladrar...
Está preso o trabalhador que quer agradar o patrão...
Tal como estão presos vários sentimentos que não podemos deixar escapar.

Pode ser o sentimento de desagrado da pessoa que entrou no autocarro sem tomar banho. Pode ser o sentimento de zanga pela pessoa atrasada. Pode ser o sentimento de agrado por aquela pessoa que na rua em sentido contrário. Pode ser...

Pode e são certamente pensamentos perdidos, suspeitas por confirmar, vontades não contempladas, desejos nunca realizados. São tesouros secretos que se acumulam cá dentro prontos para que alguém os retire ou que o próprio tempo se encarregue desse trabalho.

São coisas, sendo esta uma palavra ingratamente vulgar para descrever um tesouro, que se guardam por medo, por ignorância, por desconfiança, por promessa...

Tenho uma paixão por árvores velhas, secas, mortas... São seres que mesmo mortos, permanecem em pé, presos a um chão que não os alimentou!