quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um encontro...

"Pedi uma resposta... E passado uns minutos uma senhora sentou-se ao meu lado e meteu-me a mão sobre o ombro..."

Esta frase, dita um pouco sem querer por alguém (que merece muito mais do que ser conhecido apenas como "alguém") numa conversa via messenger... Lembrou-me da origem do nome que escrevo e de duas pessoas que nunca conheci...

Num post já antigo ("Espelho") falo da origem do meu nome da forma como costumo dar-vos as coisas... em estado bruto, de forma a que vocês possam ter espaço para esse exercício que se chama pensar e que possam ser livres para decidir qual a conclusão a tirar. Hoje vou falar a cru...

O meu primeiro amigo imaginário que eu me lembro, foi o primeiro a receber um nome... Chama-se (atenção ao tempo verbal) Ricardo. Não... não falo com o Ricardo como falava antes, quando era criança, mas sou demasiado cobarde para mata-lo! O Ricardo foi criado numa noite de temporal enquanto eu estava a ler um dos livros do Harry Potter. A minha mente de criança preferiu imaginar que o barulho da persiana não era efeito do vento e da chuva, mas sim de um pequeno ser que vivia ali e que tomava conta de mim, chamado Ricardo... Deixemos o Ricardo preso dentro da persiana para já...

Faltam-me 3 pessoas na minha vida. Duas delas têm nomes... Apresento-vos o Rui. É o meu melhor amigo. Não sei quando é que o criei... sei que nunca me separei dele... O Rui é um fixe. Sabe ver pelo meu sorriso que eu estou mal. Sabe abdicar de tudo para me convidar a ir beber uns copos para tirar a cara de cão abandonado que está atrás dos meus óculos de sol. Sabe dizer-me coisas sem abrir a boca.

O Rui é fixe, eu não! Eu não podia ter como melhor amigo alguém assim, sociável, alegre e sem medos, se eu próprio não era assim. Dei ao Ricardo um cargo maior... Passou a ser a pessoa que eu gostava de ser... O Ricardo e o Rui são os melhores amigos numa história narrada na minha cabeça e que eu, até hoje e infelizmente, nunca vivi. Actualmente o Ricardo é usado para assinar os meus posts, para que a máscara não caia e o sorriso com que digo "Bom dia" não seja entendido como falso. Hoje, o Ricardo serve para tapar a minha cobardia... No passado tapava a minha estagnação...

Por fim a única pessoa que vem e vai... Nunca está comigo muito tempo e apesar de ser ficticia faz-me chorar. A Cátia é prima do Rui, mas conheci-a por acaso, numa das histórias que imagino antes de adormecer... Foi numa das praias da linha de Cascais, não conheço qual... Estava uma rapariga sentada de costas para mim, junto ao mar. Mesmo de costas percebi que ela estava triste... Aproximei-me dela e sentei-me do seu lado direito. Suficientemente perto para lhe tocar, mas não o fiz. Tirei o auscultador direito do meu ipod e dei-lho enquanto parava a musica que estava a tocar... Não era aquela que eu lhe queria mostrar, mas sim outra. Ela recebeu o auscultador e meteu no ouvido... Sem nunca olhar para ela dei inicio à musica. Take me Away, dos Silence 4. Ninguém disse nada... Apenas chorámos, cada um com a sua dor. O tempo fez o que lhe compete e passou. Do nada ela levanta-se e vai-se embora... Voltámos a ver-nos numa festa em casa do Rui, novamente por acaso. Não... não foi aqui que nos conhecemos, foi mesmo na praia. Entre as lágrimas do choro soubemos quem estava ao nosso lado. A Cátia é a minha única amiga imaginária e nunca o chegou a ser. A Cátia é a história de amor perfeito com que eu sonho... A história de amor que apenas acontece, sem luta e sem sofrimento. Sem que tenhamos de dizer "Amo-te", porque nao é esta expressão que vai ser mais forte que aquilo que os meus olhos gritam... A Cátia é, de todas as pessoas do mundo, a que me faz mais feliz, mas é a que mais me enganou... A Cátia trai-me... Depois volta, depois trai-me... Faz-me abraçar a almofada, faz-me chorar, mas acima de tudo, faz-me acreditar...

Hoje preciso de ir à praia e esperar que a Cátia volte... preciso da esperança de um dia ela passar a ser real, apesar do sofrimento... preciso de uma mão no meu ombro...

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