segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Posso gritar?

Provavelmente, as listas mais conhecidas que existem neste mundo nublado são os 10 mandamentos. São uma lista de prioridades, ideias que queremos seguir antes de seguirmos outras, de menor importância. Há muitas outras listas nas nossas vidas, construídas tendo como base a frequência do acontecimento. Para um depressivo, o suicídio está à frente do esperar que a dor passe, pois a dor é mais frequente que a morte. O raciocineo é lógico: habituamos-nos aquilo que fazemos frequentemente e que sabemos que vamos poder fazer depois. Os acontecimentos únicos são os que devem ser privilegiados, pois nada aponta para quando os vamos voltar a viver, nem sequer se os vamos voltar a viver.

Ainda assim, aquela pessoa que acorda todos os dias com um sorriso na cara, tem no topo da sua lista, sorrir novamente. O que nos leva a uma estranha conclusão. Por um lado construímos a lista consoante aquilo que gostamos de fazer e que fazemos muitas vezes, mas por outro, somos tentados em deixar para trás aquilo que gostamos de fazer.

Era tão mais fácil, aos 5 anos, quando todas as minhas preocupações eram um vácuo onde habitava a vontade de correr, rir e sorrir... Era mais ou menos nesta altura, que, sempre que parávamos o carro no meio da natureza, geralmente no topo de uma serra, eu perguntava com aquela alegria de criança feliz "Pai, pai, pai, posso gritar?"... Claro que a resposta era aquela que me fazia olhar para o mundo que ficava mesmo no horizonte, encher os pulmões de ar e soltar um grito de nada, mas que mostrava que eu estava ali e feliz!

Fez-se o silencio, quando o sorriso se desvaneceu e a criança cresceu!

domingo, 30 de agosto de 2009

Eu-eu ou eu-ele?

Os antónimos fazem parte daquilo que se aprende na primária, mas desde sempre somos confrontados com as duas soluções que temos diante de nos... Não faças isto, faz aquilo. Não comes isto, come aquilo. Não, sim. Bonito, feio. Bom, mau.

Faz parte da educação, o esforço para seguirmos aquilo que está tabelado como "bom". À medida que vamos crescendo, vamos-nos tornando autónomos e decidindo o que fazer em cada um das encruzilhadas da humildes vidas que vamos sobrevivendo. As escolhas que tomamos já não é com a voz da mãe e do pai a dizer qual o caminho, mas com o que eles nos conseguiram ensinar e com aquilo que vemos de cada um dos nossos lados, pelas vidas alheias.

Vemos de tudo. Vemos pessoas a sorrir e a chorar. Geralmente, as pessoas que sorriem fazem mais coisas das que eu considero "más" do que "boas". Veja-se, por exemplo, dois amigos num bar a beber cerveja, e a rirem-se da queca que um deles deu a alguém que apenas conquistou por uma aposta. Em oposição, as pessoas tristes são assim, por exemplo, porque seguiram o caminho "bom". Porque tentaram oferecer flores, convites para dançar, esperar. Acabam numa mesa escondida ao fundo bar escuro.

Gosto de fazer as coisas bem feitas, ou de deitar-me estafado na cama com a consciência de me ter esforçado ao máximo. Por muitos anos, tive na carteira uma frase que decidi que ia seguir sempre que tivesse quase quase a fazer algo que não devesse: "A única coisa a fazer é seguir as regras".

Entre perfeccionista e aventureiro, será que a escolha correcta é o perfeccionismo? O canto escuro do bar agrada-me porque tenho uma visão geral, sem que reparem em mim, mas será que quero morrer num canto?

Viver ou sobreviver? Lutar ou caminhar? Rir ou morrer?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Uma janela do que já fui

Não se podem fragmentar pessoas... Somos como packs cujas componentes nunca se podem separar. O meu pack contem um lado oculto, um tanto ou quanto retratado neste blog, um lado romântico que deixo em segredo como se fosse uma prenda para a Cátia e um grande lado de insegurança que se esconde atrás de uns óculos de sol de de um sorriso na cara.

Sou bastante atento a pormenores insignificantes, porque acho que é nas micro-reacções que vemos a verdadeira intenção das pessoas... São pequenas reacções que surgem antes de estarmos conscientes delas e de as escondermos... É aqui que vemos a coragem, o medo, a dúvida...

Uma pequena hesitação hoje, faz-me perder horas e horas de sono, hoje, amanha e depois. Sou complicado. Penso muito, talvez mesmo em demasiada... Adoro faze-lo... continuo a adorar deitar-me na cama de barriga para cima, ao som de uma musica a olhar para um tecto iluminado por uma chama dançante, proveniente de uma vela já gasta.

Estou agarrado ao passado! Tomei muitas decisões importantes lá atrás... percorri um longo caminho sozinho e consegui, não só sobreviver, como fazer planos para o futuro. Não quero, nem alguma vez quis mudar, mas mudei... O mundo esta preparado para quem vive e não para quem sobrevive... Quem se limita a sobreviver, na melhor das hipóteses acaba por morrer... Adoro a pessoa que fui. Não mudei muito, mas sei que foi uma mudança irreversível. Não posso voltar a ser quem era e nem ficar nesta transição por muito tempo... é como se estivesse a atravessar um vale em cima de uma corda bamba, mas sem poder voltar ao inicio... Tenho de me mover antes que o vento me atire em queda livre...

Enquanto se vai a personalidade... ficam os sonhos... A estes agarro-me com unhas e dentes. Não, não acredito que os vou viver e cada vez acredito menos, mas ao menos vou sonhando acordado... umas vezes rindo... outras vezes sonhando.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Esperança...

Esta será a primeira, neste blog que limito-me a postar uma música... Neste momento sinto que ela diz tudo...



I still have both hands over old photographs
To remind me of the laughter, and tears
Times we made love, are more than enough,
To count them on my souvenirs

But the one thing I had, I'm missing most,
Is the one thing I can't seem to find

I thought you would leave your heart with me
And that part of you is all I need
And someday you'd reappear,
'Cause you knew you left it here
The only place it could ever be
I thought I could watch you walk away
Knowing somewhere down the road you'd say:
'It was all a big mistake, it was more than you could take',
I thought you would leave your heart with me...

I was sure you were mine, just a matter of time
Until I heard your knock at my door
But I'm facing the facts, you're not coming back,
'Cause there's nothing to come back here for

All that I know, I can't keep on living a lie,
Oh, but darling... I can't hide the truth

I thought you would leave your heart with me
And that part of you is all I need
And someday you'd reappear,
'Cause you knew you left it here
The only place it could ever be

And if I only knew, what I know now,
I would have never let you go, I'd still be holding on somehow...

I thought I could watch you walk away
Knowing somewhere down the road you'd say:
'It was all a big mistake, it was more than you could take',
I thought you would leave your heart with me...

I thought you would leave your heart with me...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Um encontro...

"Pedi uma resposta... E passado uns minutos uma senhora sentou-se ao meu lado e meteu-me a mão sobre o ombro..."

Esta frase, dita um pouco sem querer por alguém (que merece muito mais do que ser conhecido apenas como "alguém") numa conversa via messenger... Lembrou-me da origem do nome que escrevo e de duas pessoas que nunca conheci...

Num post já antigo ("Espelho") falo da origem do meu nome da forma como costumo dar-vos as coisas... em estado bruto, de forma a que vocês possam ter espaço para esse exercício que se chama pensar e que possam ser livres para decidir qual a conclusão a tirar. Hoje vou falar a cru...

O meu primeiro amigo imaginário que eu me lembro, foi o primeiro a receber um nome... Chama-se (atenção ao tempo verbal) Ricardo. Não... não falo com o Ricardo como falava antes, quando era criança, mas sou demasiado cobarde para mata-lo! O Ricardo foi criado numa noite de temporal enquanto eu estava a ler um dos livros do Harry Potter. A minha mente de criança preferiu imaginar que o barulho da persiana não era efeito do vento e da chuva, mas sim de um pequeno ser que vivia ali e que tomava conta de mim, chamado Ricardo... Deixemos o Ricardo preso dentro da persiana para já...

Faltam-me 3 pessoas na minha vida. Duas delas têm nomes... Apresento-vos o Rui. É o meu melhor amigo. Não sei quando é que o criei... sei que nunca me separei dele... O Rui é um fixe. Sabe ver pelo meu sorriso que eu estou mal. Sabe abdicar de tudo para me convidar a ir beber uns copos para tirar a cara de cão abandonado que está atrás dos meus óculos de sol. Sabe dizer-me coisas sem abrir a boca.

O Rui é fixe, eu não! Eu não podia ter como melhor amigo alguém assim, sociável, alegre e sem medos, se eu próprio não era assim. Dei ao Ricardo um cargo maior... Passou a ser a pessoa que eu gostava de ser... O Ricardo e o Rui são os melhores amigos numa história narrada na minha cabeça e que eu, até hoje e infelizmente, nunca vivi. Actualmente o Ricardo é usado para assinar os meus posts, para que a máscara não caia e o sorriso com que digo "Bom dia" não seja entendido como falso. Hoje, o Ricardo serve para tapar a minha cobardia... No passado tapava a minha estagnação...

Por fim a única pessoa que vem e vai... Nunca está comigo muito tempo e apesar de ser ficticia faz-me chorar. A Cátia é prima do Rui, mas conheci-a por acaso, numa das histórias que imagino antes de adormecer... Foi numa das praias da linha de Cascais, não conheço qual... Estava uma rapariga sentada de costas para mim, junto ao mar. Mesmo de costas percebi que ela estava triste... Aproximei-me dela e sentei-me do seu lado direito. Suficientemente perto para lhe tocar, mas não o fiz. Tirei o auscultador direito do meu ipod e dei-lho enquanto parava a musica que estava a tocar... Não era aquela que eu lhe queria mostrar, mas sim outra. Ela recebeu o auscultador e meteu no ouvido... Sem nunca olhar para ela dei inicio à musica. Take me Away, dos Silence 4. Ninguém disse nada... Apenas chorámos, cada um com a sua dor. O tempo fez o que lhe compete e passou. Do nada ela levanta-se e vai-se embora... Voltámos a ver-nos numa festa em casa do Rui, novamente por acaso. Não... não foi aqui que nos conhecemos, foi mesmo na praia. Entre as lágrimas do choro soubemos quem estava ao nosso lado. A Cátia é a minha única amiga imaginária e nunca o chegou a ser. A Cátia é a história de amor perfeito com que eu sonho... A história de amor que apenas acontece, sem luta e sem sofrimento. Sem que tenhamos de dizer "Amo-te", porque nao é esta expressão que vai ser mais forte que aquilo que os meus olhos gritam... A Cátia é, de todas as pessoas do mundo, a que me faz mais feliz, mas é a que mais me enganou... A Cátia trai-me... Depois volta, depois trai-me... Faz-me abraçar a almofada, faz-me chorar, mas acima de tudo, faz-me acreditar...

Hoje preciso de ir à praia e esperar que a Cátia volte... preciso da esperança de um dia ela passar a ser real, apesar do sofrimento... preciso de uma mão no meu ombro...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O Cortar das Amarras, o Medo e a Eterna Vontade de Sorrir

É a primeira vez que o titulo do post é escolhido antes do texto ser escrito. Tem de ser aquele titulo!

Algumas das amarras que me prendiam num post passado foram hoje cortadas. Consegui cortar uma amarra e dizer, olhando nuns olhos entristecidos e comovidos, que sentia um sentimento que sinto ser bastante nobre. Vitória 1 de muitas que hão-de vir e após muitas que não estou a contar. Consegui dizer tudo, hoje, sem medo, sem receio, sem vergonha. Disse-o lá fora, ao sol e acabei de o dizer aqui à luz artificial. Esta tudo dito!

O medo veio depois... Quando, apesar de não estar a ver, vi que fiz chorar. Não sei ao certo porque chora, mas sinto que pode ser por não me poder ter... Tenho medo... medo de perder o eu bem valioso, de nunca o voltar a ter, de sofrer como sofri em silencio no passado... Tenho medo de desistir cedo demais e de manter-me por tempo a mais. Se há coisa que ainda não mudou foi a vontade que tenho de ser um ovo e viver, enroscado, no conforto quente das mãos de alguém... Como estive várias vezes com a pessoa que tenho medo de perder...

Sei que vai doer, mas não me posso dar ao luxo de ser uma lágrima a desvanecer-se no oceano. Não... Eu sou muito mais que isso... Tenho o meu valor e quem não está disposto a paga-lo que procure na loja ao lado. Vai doer... vai ser difícil sorrir, mas eu sou feliz porque, apesar de ainda estar na prateleira à espera do comprador, sei que sou muito mais valioso que isso...

Ontem acreditei em nos... hoje também acredito, mas tenho de estar primeiro...
Não vou deixar de lutar, mas não vou abrir saldos... Este é meu preço... licita quem quer!

Esqueceste demasiado... Perdeste muita fé e talvez até sejas mais feliz assim... Eu não acredito nisso e estou na prateleira, reservado para ti, mas numa vitrina onde mais pessoas podem ter acessos... E por isso vou acenar e sorrir a quem passar :)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Parado na corrente de ar...

Respirar já não basta para sobreviver. Sinto que por vezes, por breves instantes, perco a capacidade de respirar. Sinto um nervoso miudinho a invadir o peito... contraio o diafragma aceleradamente para tentar conseguir um pouco mais de oxigénio... mas ele não chega...

É um aperto no coração, uma dor que sinto como se fosse real, como se fosse física, que me acorda dos meus pensamentos-fantasma... do passado. Bendita dor que me faz acordar, que me faz ver onde estou. Não é que esteja bem onde estou, mas entre estar aqui a pensar e estar aqui sem pensar, que venha a amnésia. Que venha a estaca para gelar o coração. Que venha o quer que seja que me impeça de sentir!

Não quero pensar, não quero decidir, não quero viver pela minha vontade. Quero ser um grão de pólen, a pairar no ar, ao sabor do vento, com o processo de desenvolvimento suspenso. Pode ser que o acaso me faça aterrar num sitio onde eu possa retomar a vida que perdi... pode ser que acabe por nunca encontrar o sitio para o meu desenvolvimento... pode ser que que nunca aterre...

Não é importante o que vem amanha... é importante não pensar no que aconteceu ontem... É importante não viver!

Hoje não vivo... está decidido!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Amarras

Estamos presos...

Está preso no cais, o barco à espera dos passageiros...
Está preso o cão que mete medo por apenas ladrar...
Está preso o trabalhador que quer agradar o patrão...
Tal como estão presos vários sentimentos que não podemos deixar escapar.

Pode ser o sentimento de desagrado da pessoa que entrou no autocarro sem tomar banho. Pode ser o sentimento de zanga pela pessoa atrasada. Pode ser o sentimento de agrado por aquela pessoa que na rua em sentido contrário. Pode ser...

Pode e são certamente pensamentos perdidos, suspeitas por confirmar, vontades não contempladas, desejos nunca realizados. São tesouros secretos que se acumulam cá dentro prontos para que alguém os retire ou que o próprio tempo se encarregue desse trabalho.

São coisas, sendo esta uma palavra ingratamente vulgar para descrever um tesouro, que se guardam por medo, por ignorância, por desconfiança, por promessa...

Tenho uma paixão por árvores velhas, secas, mortas... São seres que mesmo mortos, permanecem em pé, presos a um chão que não os alimentou!